segunda-feira, 2 de junho de 2008


Há mais ou menos duas semanas, assisti ao Sean Penn’s Into the Wild. Na verdade, o nome do ator Sean Penn não aparece no título original do filme, mas por puro lapso de pretensão. Sim, porque em todo o resto, pretensão é o que não falta. O moço é diretor, roteirista, produtor e, por assim dizer, um cara solidário por dar o papel de protagonista de seu filme ao sem graça Emile Hirsch, que, definitivamente se dá melhor no papel de Speed Racer. Com imagens bonitas, mas com alguns diálogos bobos, sem sentido (quando não com tons moralizantes), o Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007) é um belo filme desperdiçado. Um rapaz, Cristopher McCandless, logo após se graduar, desfaz-se de tudo o que tem, inclusive da família, para viver no mundo selvagem do Alasca. Acontece que, em sua sétima experiência como diretor, Sean Penn parece não ter decidido quem afinal seria o protagonista do filme: a natureza, que engole e mastiga a personagem de Emile Hirsch, ou o próprio, que tenta desbravar esse mundo desconhecido. O diretor privilegiou o protagonista humano, mas quem ganha é a natureza.

E sobre a pretensão, não há o menor problema em sê-lo. Em Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007), Paul Thomas Anderson ( o do “estranho” Magnolia, 1999) parece se deparar com o mesmo problema, que, no caso dele, foi a própria solução: a personagem de Daniel Day-Lewis ou o dinheiro criado pela indústria do petróleo seria a protagonista? Daniel Day-Lewis torna-se a personagem-mor, aquela em cima da qual o filme todo se sustenta, mas o diretor faz esse personagem completamente submetido às diretrizes da indústria do petróleo, que se configura, na verdade, como a protagonista invisível cuja mão rege a atuação de Day-Lewis como o magnata Daniel Plainview. O problema da pretensão não é ela existir: é se saber colocá-la em prática sem que ela transpareça como mais uma das personagens de um filme, engolindo todas as outras. Paul Thomas Anderson entendeu o que isso significa. Sangue Negro é uma obra de arte. Em Na Natureza Selvagem, a pretensão morre no Alasca.