The stars are higher, the airplanes fly lighter on concrete. Eu gosto do cinza. Acho mesmo que o concreto pode desempenhar um papel essencial na vida de algumas pessoas. Na minha, certamente. É bom morar em qualquer cidade concretizada, por assim dizer, como São Paulo, acordar e olhar pela janela ele, o concreto. Acho que sofro de uma abstinência crônica de abrir minha janela e não ver o cinza, do chão ao céu. Penso até que sou algum tipo de viciado, cuja poluição respirada pro meu corpo se integrou à minha constituição. Sou o lixo da poluição, o resto do cinza do concreto, do chão, do céu. Tudo entrou em mim. Minha alma ficou pesada. De verdade, carregar uma alma concretizada em meio a árvores não é fácil. Árvores mudam em curto pedaço de tempo. A folha seca, a folha se revigora, a folha morre, a folha nasce, a folha cai e serve de alimento pra alguma coisa. Árvores são inconstantes. O concreto, não. Nele se pode confiar, porque se sabe o que esperar dele. E, sério, poucas coisas são mais importantes do que saber o que esperar de alguma coisa, do que entender a razão de alguma coisa existir. O cinza é mais do que concreto. O concreto é mais do que concreto. Ele é a esperança concretizada de uma rotina que te faz se identificar com você mesmo toda vez que o vê ali parado no mesmo lugar. Ele e as estrelas. O pó delas, mais especificamente. Mas as estrelas são mais místicas, elas pertencem a outro mundo. O concreto é tocável e muito, mas muito mais bruto e estúpido. Assim como a vida, lighter on concrete.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Assinar:
Postagens (Atom)
