The stars are higher, the airplanes fly lighter on concrete. Eu gosto do cinza. Acho mesmo que o concreto pode desempenhar um papel essencial na vida de algumas pessoas. Na minha, certamente. É bom morar em qualquer cidade concretizada, por assim dizer, como São Paulo, acordar e olhar pela janela ele, o concreto. Acho que sofro de uma abstinência crônica de abrir minha janela e não ver o cinza, do chão ao céu. Penso até que sou algum tipo de viciado, cuja poluição respirada pro meu corpo se integrou à minha constituição. Sou o lixo da poluição, o resto do cinza do concreto, do chão, do céu. Tudo entrou em mim. Minha alma ficou pesada. De verdade, carregar uma alma concretizada em meio a árvores não é fácil. Árvores mudam em curto pedaço de tempo. A folha seca, a folha se revigora, a folha morre, a folha nasce, a folha cai e serve de alimento pra alguma coisa. Árvores são inconstantes. O concreto, não. Nele se pode confiar, porque se sabe o que esperar dele. E, sério, poucas coisas são mais importantes do que saber o que esperar de alguma coisa, do que entender a razão de alguma coisa existir. O cinza é mais do que concreto. O concreto é mais do que concreto. Ele é a esperança concretizada de uma rotina que te faz se identificar com você mesmo toda vez que o vê ali parado no mesmo lugar. Ele e as estrelas. O pó delas, mais especificamente. Mas as estrelas são mais místicas, elas pertencem a outro mundo. O concreto é tocável e muito, mas muito mais bruto e estúpido. Assim como a vida, lighter on concrete.
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8 comentários:
O cinza que te traz nostalgia deu um ótimo texto. Como diria a Laura, "super adorei". Só que tem que postar mais seguido, moço! haha
Eu não curto muito o cinza, apesar de entender a razão pela qual ele predomina cada vez mais nas nossas vidas. Às vezes preciso achar uma corzinha pra ficar mais contente. Mas isso porque o verde-limão e o rosa chock remetem ao que eu já vivi, assim como o cinza te é familiar.
Só que tem diferença. Se eu escrevesse um texto sobre as cores e sobre as árvores, não seria tão bom quanto o teu sobre o cinza e o concreto :P
Garoto todo cinza! oO
Sabe o que eu acho lindo? Aquelas ruas largas, inteiras pavimentadas, com prédios altos dos dois lados, e algumas árvores na calçada... As árvores também podem aparecer de vez em quando no concreto! Um pouco de inconstância na vida dá um "colorido" muito bonito a ela! Apesar de, concordo, ser um pouco trabalhoso cuidar de uma árvore no meio do concreto. Mas a gente aprende! ;)
Nem preciso falar que achei o texto lindo, né?
É tão...bonito. Mas eu concordo com o moço aí de cima: às vezes é bom ter um pouco de inconstância na vida, desde que na dose certa. Nada de árvores demais, nem de menos. Apenas o necessário. Porque senão fica tudo muito monótono ou, no mínimo, previsível. É sempre bom surpreender-se, mesmo que para o mal. Faz parte da vida saber que nem tudo é como parece. :)
Os comentários de um blog não poderiam servir para pequenas declarações fervorosas. Mas não dá pra resistir. Faço aqui uma destas para saudar as quatro estações, sua constante inconstância durante o ano. Dá mesmo saudade do tempo em que elas eram inteiramente definidas por aqui.
Sou da opinião de que se pode confiar naquilo que não é tangível também. Basta lembrar das 19h08min de 10/08/2007, do Eureka!. Eu confio nisso every single day.
... Mas o mais confortante depois de ler as linhas que você escreveu aqui, é ter a certeza de que a rotina já mostrou que não são apenas frases que tu sabe fazer bem.
(L)
Sempre que me vejo em meio ao bucolismo, sinto uma súbita saudade do concreto...
Abço,
Pitango
http://www.lenfantdeboheme.blogspot.com/
o concreto é bem mais confiável e mais seguro... mas bem mais sem graça e sem emoção...
ah! agora que descobri teu blog, rafa, virei leitora (e fãzoca)
super adorei
besos, queri
Só diz isso pq acorda com uma vista linda pro Guaíba e todo o verde possível de Porto Alegre.
Ai ai ai, que canseira esse teu txt.
kkkk
bjao
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